quarta-feira, 21 de março de 2012

Fragilidades (Enfarte) do Coração Feminino.



Desde 2004 o interêsse por explicações para as diferenças entre o coração do homem/mulher, nas manifestações clínicas do enfarte passou a ser bem mais focada pela Associação Americana de Cardiologia e com repercussões no Brasil e no mundo. Sabemos que os sintomas nas mulheres, pelas diferenças intrínsecas, tem mortalidade maior que o homem em 50%.
Entre elas ocorre uma postergação no atendimento, pois o desconforto é de média ou baixa intensidade, e a localização difere se comparada ao homem. Desconforto ou dores lombares, epigástrio e mandíbulas são locais mais comuns nas eeferências dos sintomas. No homem o enfarte ou infarato do miocárdio (IAM) traz em geral dor aguda, opressiva no peito, com irradiação para um ou os dois braços, acompanhado de sudorese intensa. A mulher descreve um malelstar como gastrite ou má digestão ou até falta de ar (malinterpretada como ansiedade).


O IAM silencioso é mais comum nas mulheres e diabéticos, tendo protelado o atendimento e posstergando o atendimento e o diagnóstico e o tratamento. Para termos uma sensação da gravidade do fato, anualmente morrem cêrca de 10.000 mulheres por câncer de mama e 30.000 por IAM. Existe um referência que diz "tempo é musculo" , ou seja, quanto mais rápido o atendimento, menor a extensão e morte de células do músculo cardíaco. Os protocolos preconizam um atendimento durante a primeira hora do IAM - "Hora de Ouro" . Sendo assim neste tempo é possivel recuperar-se 75% dos casos sem deixar sequela. Se a demora para o atendimento for de 3 horas o sucesso cairá para 25% apenas.
Não ha ainda explicações totalmente irrefutáveis para as diferenças na apresentação de um mesmo quadro entre homens/ mulheres ; mas especula-se alguns motivos que passamos a citar:
O Estrógeno (hormônio vasodilatador dos ovários) é dito ser um protetor do coração e induz a produção de uma proteina associada a resistência a dores. A distribuição nervosa da região é diferente entre homem/mulher e isso explicaria a regionalização diferente dos sintomas. Nas mulheres há mais ramificações para as costas e abdomem, e nos homens mais para o peito.
Por tudo isso as mulheres são mais vulneráveis que os homens. O risco de uma mulher que fuma é o dobro de um homem fumante. As diferenças anatômicas e funcionais entre o coração do homem/mulher explicaría a maior fragilidade dos sexos neste aspecto. O climatério e a menopausa (alterações hormonais) são elementos que exigem maior vigilância do cardiologista.
Idade média do primeiro IAM na mulher é 74 anos e ho homem 67 anos.
Incidência de sintomas do IAM silencioso é 42% na mulher e 30,7% no homem.
Taxa de mortalidade pós internação é 14,6% na mulher e 10,3% no homem.


Fatores outros.
As artérias coronárias são responsáveis pela nutrição do musculo cardíaco, e observa-se que na mulher são 15% mais finas e tortuosas que no homem, facilitando assim o depósito de gordura. A frequência cardíaca/min. na mulher é 10% maior que no homem; e isso levaría ao longo dos anos maior desgaste do órgão. No homem FC/min é de 55 a 70 batimentos e na mulher de 60 a 80.

Caso Clínico - "relato de uma paciente"

Ela comentou que não se sentia bem...Lhe doíam as costas... Ia deitar-se um pouco até que passasse... Um tempo mais tarde seu esposo foi ver como ela estava e a encontrou sem respirar... Não a puderam reviver.Eu sabia que os ataques cardíacos nas mulheres são diferentes, mas nunca imaginei nada como isto. Esta é a melhor descrição que li sobre esta terrível experiência...Sabias que os ataques cardíacos nas mulheres raramente apresentam os mesmos sintomas 'dramáticos' que anunciam o infarto nos homens? Me refiro à dor intensa no peito, o suor frio e o desfalecimento (desmaio, perda de consciência) súbito que eles sofrem e que vemos representados em muitos filmes.Para que saibam como é a versão feminina do infarto, uma mulher que experimentou um ataque cardíaco nos vai contar sua história:'Eu tive um inesperado ataque do coração por volta de 22h30min, sem haver feito nenhum esforço físico exagerado nem haver sofrido algum trauma emocional que pudesse desencadeá-lo. Estava sentada, muito agasalhadinha, com meu gato nos joelhos. Lia uma novela muito interessante, com o meu pijama preferido e muito relaxada, enquanto pensava: 'Que lindo, isto é vida...!'Um pouco mais tarde, senti uma horrível sensação de indigestão, como quando - estando com pressa - comemos um sanduíche, engolindo-o com um pouco de água e parece que temos uma bola que desce pelo esôfago, bem devagar, meio embuchando-nos.É, então, que nos damos conta de que não deveríamos comer tão depressa e que deveríamos mastigar mais devagar e melhor, além disto, tomar um copo de água para ajudar ao processo digestivo.Esta foi minha sensação inicial... O 'único problema' era que eu NÃO HAVIA comido NADA desde às 17h...Depois, desapareceu esta sensação e senti como se alguém me apertara a coluna vertebral (pensando bem, agora acredito que eram os espasmos em minha aorta). Logo, a pressão começou a avançar para o meu externo (osso de onde nascem as costelas no peito). O processo continuou até que a pressão subiu à garganta e a sensação correu, então, até alcançar ambos os lados de meu queixo.Ahá!! Nesse momento, soube realmente o que estava se passando comigo... Acredito que todos temos lidos ou escutado que a dor no queixo é sinal de um ataque do coração.'Santo Deus, acredito que estou tendo um ataque cardíaco!' disse ao gato. Tirei os pés do pufF e tratei de ir até o telefone, mas caí ao solo...Então, disse: 'Isto é um ataque cardíaco e não deveria caminhar até o telefone nem a nenhum outro lugar, mas... se não digo a ninguém o que se está passando, ninguém poderá me ajudar... E se demoro, talvez não possa mover-me depois.'Me levantei apoianda em uma cadeira e caminhei devagar até o telefone para chamar a emergência. Lhes disse que acreditava que estava tendo um ataque cardíaco e descrevi meus sintomas. Tratando de manter a calma, informei o que se passava . Eles me disseram que viriam imediatamente e me aconselharam deitar-me perto da porta, depois de destrancá-la para que pudessem entrar e me localizar rapidamente.Segui suas instruções, me deitei e, quase imediatamente, perdi os sentidos. Não lembro quando, como entraram os médicos e nem quando me levaram de ambulância. Mas, vagamente, lembro de haver aberto os olhos ao chegar no hospital e ver que o cardiologista estava esperando pronto para levar-me à sala de cirurgia. O médico se aproximou e me fez algumas perguntas (creio que perguntou se havia tomado algum medicamento) mas não pude responder nem entender o que me dizia porque voltei a perder os sentidos. Acordei com o cardiologista - como descobri após algumas horas - havia introduzido um pequeno balão em minha artéria femoral para instalar dois 'stents' que mantivessem aberta minha artéria coronária do lado direito.Sei que parece que tudo o que fiz antes de chamar a ambulância houvesse demorado uns 20 ou 30 minutos, mas na realidade apenas me custou 4 ou 5 minutos... E, graças a minhas explicações precisas, os médicos já estavam esperando prontos para atender-me adequadamente quando cheguei ao hospital.Vocês se perguntam porque lhes conto tudo isto com tanto detalhe demorado... É simplesmente porque quero que todos saibam o que aprendi depois desta terrível experiência.Passo, então, a resumir alguns pontos:1.Tenham em conta que seus sintomas, provavelmente, não serão parecidos em nada aos que padecem os homens. Eu, por exemplo, senti a dor no externo e no queixo. Dizem que muitas mais mulheres que homens morrem em seu primeiro (e último) ataque cardíaco porque não identificam os sintomas e/ou os confundem com os de uma indigestão. Então, tomam um digestivo e logo vão para a cama esperando que o mal-estar desapareça durante a noite. Também, porque - por razões culturais - nós, as mulheres, estamos acostumadas a tolerar a dor e o desconforto mais que os homens. Queridas amigas: Talvez seus sintomas não sejam iguais ao meus, mas, por favor, não percam tempo. CHAMEM a AMBULÂNCIA, se sentem que seu corpo experimenta algo estranho. Cada um conhece o estado natural (normal) de seu corpo. Mais vale uma 'falsa emergência' do que não atrever-se a chamar e perder a vida...2.Notem que disse 'chamem os Paramédicos/Ambulância'. Amigas, o tempo é muito importante, Além disto, não pensem em dirigir nem deixem que seus esposos ou familiares as levem ao hospital. Além de que ninguém está em condições de dirigir sem que os nervos os atraiçoem, seus sintomas podem agravar-se no caminho do hospital e complicar as coisas. Tampouco é recomendável chamar O MÉDICO privado para que venha à sua casa. Além de perder minutos preciosos, poucos médicos levam em seu carro equipamento 'salva vidas' necessário nestes casos; a ambulância, sim está totalmente equipada. Principalmente, tem oxigênio que precisarás de imediato. Em todo caso, o hospital notificará teu médico depois.3. Não acreditem que não possam sofrer um ataque cardíaco porque seu colesterol é normal ou 'nunca tiveram problemas cardíacos'... Se descobriu que o colesterol por si só (a menos que seja excessivo) raramente é a causa de um ataque cardíaco. Os ataques cardíacos são o resultado de um stress prolongado que faz que nosso sistema segregue toda classe de hormônios daninhos que inflamam as artérias e tecido cardíaco.Por outro lado, as mulheres que estão entrando na menopausa ou já a ultrapassaram, perdem a proteção que lhes brindava os estrogênios, pelo que correm igual risco de sofrer mais problemas cardíacos do que os homens.Um cardiologista disse que se todas as que recebemos este e-mail o enviarmos a 10 mulheres, poderemos estar certas de que ao menos UMA vida se salvará.

Fontes Bibliográficas..
- Drs. Marcus Malaquias e Dr. Raul Santos.
- Artigo Revista veja 29 fev. 2012.
- The Heart (Hurst)

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